FA e frações de Fosfatase Alcalina

A fosfatase alcalina (FA ou ALP) é uma enzima não específica. O principal uso da ALP é como um indicador sensível de colestase no cão (aumentará antes da bilirrubina), porém não é específico porque a presença de corticosteroides (exógenos ou endógenos) induz a produção desta enzima, com aumentos subsequentes na atividade sérica ou plasmática. No gato, porém, a ALP é um indicador específico da doença hepática, enquanto em animais de grande porte, a enzima não é muito útil.

A amostra de sangue deve ser colhida em um tubo soro ou heparina. A diminuição da atividade é rara, e o aumento indica alterações nos tecidos que produzem (ex. hepático, ósseo) ou uso de certos medicamentos.

As alterações ósseas não necessariamente são malignas, podendo ocorrer devido ao animal estar em fase de crescimento ou a regeneração de alguma fratura, mas alguns tumores ósseos também podem levar ao aumento da enzima. A colestase é a diminuição ou interrupção do fluxo biliar, sendo então uma alteração hepatobiliar podendo ser causado por hepatites, lipidose hepática e cálculo biliar. Já o uso de certos medicamentos corticoides como prednisona e dexametasona ou barbitúricos como o fenobarbital entre outros, em cães pode levar a uma maior produção da fosfatase.

Os itens citados acima são apenas algumas das possíveis alterações que o aumento da FA pode indicar, para se ter certeza da origem podem ser determinadas as frações de fosfatase alcalina, que é um exame capaz de diferir se o aumento tem origem óssea, induzida por medicamento ou hepatobiliar. De qualquer forma o veterinário responsável deve considerar a condição em que o animal se encontra para decidir qual a fonte provável do aumento da enzima.

 

Escrito por: Cecília Maieron – Estagiária Blut’s

Urinálise

Também chamada de exame qualitativo de urina (E.Q.U), é a análise dos componentes da urina, fornecendo informações importantes sobre o trato urinário e certos distúrbios metabólicos, como diabetes e cetose metabólica.

O ideal para a análise é ter o mínimo de 5 ml, e as amostras não refrigeradas devem ser analisadas em até 2 horas, quando refrigerada pode ser analisada após 12 horas, de outra forma o exame não refletirá a condição do animal. É importante ter em mente que o método de coleta influencia o resultado do exame, podendo ser realizada por:

  • Micção natural: Coletada pelo tutor quando o animal for urinar, usando um pote de plástico estéril, geralmente fornecido pelo veterinário responsável pelo animal. Ao interpretar o resultado deve-se ter em mente que esta forma de coleta terá uma porção de células e bactérias pertencentes a uretra e aos genitais.
  • Cateterismo: É realizada por um profissional treinado que introduz uma sonda pela uretra do animal até a bexiga. Por este método ser um pouco traumático costuma haver maior quantidade de células do final do trato urinário.
  • Cistocentese: Esta coleta é feita por um profissional treinado, realizando a introdução de uma agulha na vesícula urinária através da pele do abdomen, devendo ser guiada por ultrassom para evitar lesões no paciente. Desta maneira toda a interferência do final do sistema geniturinário é eliminada, sendo esse método o preferível para realizar a urocultura.

O exame é composto por 3 partes, na primeira parte é verificado o aspecto físico da urina, como a cor e a turbidez; a segunda parte é a análise química onde é verificado a presença de elementos como a glicose, bilirrubina, proteínas, entre outras; a última parte é a análise de sedimento, onde se verifica a presença de bactérias, cristais e células na urina. Existem também exames complementares a urinálise, como a relação proteína/creatinina e GGT/creatinina que podem averiguar a função e lesão renal.

Levando em conta a variedade de informações fornecidas pelo E.Q.U, seu custo acessível e praticidade é um excelente exame para a avaliação médica do seu animal, desde que se conheça as limitações e possíveis fatores de interferências do teste

Escrito por: Cecília Maiero – Estagiária Blut’s

Sangue Oculto

A pesquisa de sangue oculto nas fezes é feita para verificar se o está ocorrendo sangramentos pelo trato gastrointestinal do animal de forma pequena, a ponto de não alterar a aparência das fezes. Tais sangramentos podem ocorrer devido a úlceras, parasitas, neoplasias e inflamações, podendo levar a complicações como anemia e perda de peso. Não é recomendado realizar esse exame quando há sangramento evidente nas fezes.
São utilizadas fezes frescas ou refrigeradas, e para realizar esse teste deve ser evitado o consumo de certos alimentos e medicamentos, pois podem interferir no resultado, entre esses alimentos estão carne (vermelha ou branca), brócolis, cenoura, beterraba, mamão e outros alimentos ricos em agentes antioxidantes. Além de medicamentos como anti-inflamatórios e suplementos de ferro. Dessa forma o recomendado é manter o animal com a mesma dieta — evitando os alimentos citados, por 3 dias anteriores ao exame. Outros elementos que podem interferir no exame é a ingestão de sangue devido à lambedura de algum machucado ou secreção sanguinolenta.
Resultados positivos indicam a presença do sangramento e são dados de forma semi quantitativa de acordo como a “força” da reação (traços a 3 +), enquanto resultado negativo não significa que não há sangramento, uma vez que o mesmo pode ser intermitente. A interpretação do resultado e as devidas indicações sobre alteração da dieta do animal ou da retirada de medicamentos para realizar esse exame devem ser feitas por médico veterinário de confiança.
Texto por: Cecília Maieron

HEMOGRAMA

O hemograma é a análise das células sanguíneas, sendo um dos exames mais pedidos nas rotinas pelas informações que podem fornecer ao clínico veterinário sobre o estado do animal.

  • Eritrograma: É a porção relacionada as hemácias que também são chamadas de eritrócitos, sendo os glóbulos vermelhos do sangue, que são responsáveis pelo carregamento do oxigênio para o corpo.

É neste exame que são obtidos informações como o nº de hemácias, o hematócrito e a hemoglobina, a baixa de qualquer um desses valores é indicativo de anemia, mas o mais significativo é a hemoglobina pois é a porção que se liga e carrega o oxigênio. Além disso também é avaliado a morfologia das hemácias e verificado a presença de parasitas

  • Leucograma: Segmento do exame dedicado aos leucócitos, que são os glóbulos brancos do sangue, encarregados da defesa do corpo. Existem vários leucócitos, como os macrofagos, eosinófilos, basofilos, neutrófilos e os monócitos, cada um deles possui aparência e função distintas.

O aumento e a diminuição nos valores dessas células podem ter diversos motivos, desde reações alérgicas e machucados, a tumores e infecções parasitárias por isso é necessário que o veterinário responsável interprete os resultados tendo em vista o estado clínico do paciente.

  • Plaquetograma: Faz a análise e contagem das plaquetas também chamadas de trombócitos, são células responsáveis por estancar o sangramento se agrupando no local onde houve extravasamento de sangue.

Valores altos de plaquetas estão ligados a animais que passaram pela retirada do baço, enquanto valores baixos podem ser causados por sangramento, doenças auto-imunes, doenças parasitárias entre outras patologias.

Para que os resultados emitidos sejam o mais fidedigno com o estado do animal o exame deve ser avaliado por um profissional capacitado capaz de saber as peculiaridades de cada espécie. A coleta deve ser realizada de forma adequada, e o sangue colocado em um tubo que possua anticoagulante, preferencialmente o EDTA caracterizado pela tampa roxa/lilás, e homogeneizado para que não haja formação de coágulos que impossibilitem a análise.

 

Escrito por: Cecília Maiero – Estagiária Blut’s